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terça-feira, 15 de novembro de 2016

O que a periferia nos dá?



Você cresceu na periferia, estudou na escola pública do bairro, com os próprios vizinhos. Fez amigos a vida toda.

Você pegava ônibus cheio domingo de manhã para ir à praia e demorava mais de uma hora só para chegar lá. Você perdeu vagas de emprego e percebeu que foi porque sua cor, ou seu bairro, não era bem vista(o).

Você foi seguido de perto, várias vezes, por seguranças e câmeras em lojas, shoppings, supermercados. Você foi abordado e revistado outras tantas vezes porque possuía característica suspeitas.

Você precisou economizar muitas, muitas vezes, para ter três refeições. Você passou muitas noites em postos de saúde que só tratavam com injeções. Você passava quase todos os dias por um esgoto a céu aberto. Você nem é velho, mas lembra de quando o asfalto finalmente chegou na sua rua. Você já bateu laje, já foi mecânico bicicletas, já vendeu produtos de revistas, já empacotou e transportou compras, já carregou blocos, já lavou carros, já vendeu pipoca picolé, entre tantas outras coisas, para ter um trocado e ajudar a família.

Você precisou se esforçar o dobro, o triplo, para estudar e passou a acreditar que poderia cursar o ensino técnico, ou superior. Trabalhou, estudou e constituiu família ao mesmo tempo. Você precisou fingir que a vida de alguns colegas, de balada em balada, era normal; só você que não sabia como se adaptar. Esses colegas nem sabem chegar no seu bairro.

Você sabe onde estão os amigos de verdade, que torcem pelo seu sucesso, que sabem o tamanho da sua luta. Você sabe como é bom andar onde conhece todo mundo e ao passar pelo campinho, pelas paredes que marcou com a bola, as lembranças da infância simples e feliz se fazem presentes. Você percebe que isso tudo é muito mais vida do que morte, como dizem os jornais. Você entende que não seria exatamente assim, se tivesse crescido em outro lugar, entende que isso tudo te ensinou muito mais do que os muros de um condomínio poderia ensinar, que isso tudo te fez muito mais humano do que aulas numa escola cara poderiam tornar.

Você conquista um emprego, um diploma, uma carreira. Você agora tem conhecimento, formação reconhecida, tem o direito de ser quem sempre sonhou. Aquilo que sempre foi dito a você que traria só coisas ruins, a periferia, formou você. E aqueles que sempre fizeram questão de ignorar você, fizeram questão de falar mal do seu bairro, fizeram questão de pedir pra você subir pelo elevador de serviço, fizeram questão de generalizar tudo o que você é como algo ruim para a sociedade, todos eles vêm dizer que seu lugar não é na sua casa, que agora você pode se mudar porque seu bairro não serve para você. Agora, querem dizer que o que tornou você uma "pessoa boa" foi o seu anseio de se tornar como eles e que toda a sua história de vida nada tem a ver, como se a periferia não tivesse nenhuma importância em tudo o que você conquistou, como se você devesse a eles e não aos seus amigos, seus vizinhos e seus familiares.

Você não pode ser como eles. E isso é muito bom. Fique na periferia, ela merece muito mais do que podemos pagar.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A certeza da morte


E quando a vida te perguntar: você está pronto para morrer?
Quantas pessoas poderão sorrir por lembrar algo que vocês viveram? Quantas pessoas terão a certeza de que o mundo inteiro precisava te conhecer? Quantos sonhos você realizou e quantos planos você deixou de lado por uma boa razão?

Quando a vida der os sinais, o quanto você estará preparado para dizer sim, ou não? E se nada houver? E se tudo houver? O quanto você tem vivido a esperança? O quanto sua mente será mais forte do que seu corpo? 

Quando a vida te pedir um tempo, você dará? Quando o stress aumentar, você descansará? Quando os resultados não vierem, você celebrará o que foi bom?

Você terá gargalhado até chorar, alguma vez? Terá elogiado alguém com sinceridade? Terá feito amigos de verdade? Terá ajudado sua família? Terá acreditado na humanidade? Nesse dia, você terá sido importante para quem está aí ao seu lado?

Quando a vida te responder sobre esse dia e não houver nenhum único passo a mais para dar, a criança que você foi teria orgulho de você?

Hoje é dia de fazer memória, mas também é dia de refletir sobre si e perceber que ainda dá tempo.

domingo, 30 de outubro de 2016

A onda atual de desmobilização

Nos últimos meses, presenciamos algumas propostas do atual governo, como a PEC que torna a Educação um serviço essencial constitucionalmente, com o intuito de que as greves dessa área não possam paralisar completamente as escolas e Universidades, e a PEC 241 do teto dos gastos públicos, aprovada na Câmara que chegou ao Senado como PEC 55 que, no próprio site do Senado, possui 95% dos votos contrários à sua aprovação. Ainda vem por aí Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista, Reforma do Ensino Médio, etc.

Por que será que os ataques contra o Movimento Estudantil, contra os Movimentos Sociais e os Sindicatos estão tão fortes nesse momento? É possível enxergar as entrelinhas desses ataques, pois vêm de pessoas saudosistas pelos governos que sempre serviram aos interesses contrários aos dos mais necessitados. Vamos a algumas considerações:

Se Educação é essencial, pagar abaixo do Piso Nacional é crime de responsabilidade para os prefeitos e governadores e crime inafiançável para os donos das escolas particulares?

Se Educação é essencial, pagar R$520 por mês a um estagiário que faz exatamente as mesmas funções em sala de aula que um concursado, é plausível?

Senadores, um serviço "essencial" para o país precisa ser tratado como tal. Uma escola estadual que estudei, possui 21 salas, sendo 14 de aula, 3 de línguas, sala de informática, sala de dança, sala de artes e um laboratório de química e biologia. Sabem quanto o colégio recebia para a manutenção disso tudo? R$5.000,00 a cada três meses. Isso não paga nem a gasolina que um único Senador declara usar.

Agora vem falar em tornar a Educação essencial... Isso vai triplicar os investimentos em Educação? Porque é só observar o abismo entre a educação pública que dá certo (a Federal) e a que dá muito pouco certo (a estadual e municipal). Nos Institutos Federais, cada aluno custa 3 vezes mais do que nas escolas públicas estaduais e municipais. Os professores também ganham quase 3 vezes mais.

Além disso, a Lei 7783/89 que dispõe sobre o que é um Serviço Essencial, constitucionalmente, diz o seguinte:
Art. 11. Nos serviços ou atividades essenciais, os sindicatos, os empregadores e os trabalhadores ficam obrigados, de comum acordo, a garantir, durante a greve, a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.

Parágrafo único. São necessidades inadiáveis, da comunidade aquelas que, não atendidas, coloquem em perigo iminente a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população. 

Quero ver os 29 Senadores que assinam a PEC comprovarem que falta de Educação coloca em perigo iminente a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população. O que falarão do analfabetismo?

Vamos tratar a educação como essencial, ou só vamos usar isso para tirar mais direitos?

Além disso, esta é a primeira vez na história do Brasil que políticos que fazem parte do governo são investigados e presos. Isso é mérito do próprio governo. Ou podemos acreditar que não havia corrupção dentro dos outros governos, onde ninguém havia sido preso.

As condições de vida na periferia melhoraram sim. O poder de compra aumentou consideravelmente. Nem nos melhores sonhos de meus pais, lá pela década 90, hoje eles teriam duas casas e dois carros na garagem. Fazer mercado e poder pagar $500 numa única compra só se tornou realidade a partir dessa década. É possível ver como a qualidade das casas aumentou, com muitas reformas na última década. Sem falar que mais da metade das casas possui um veículo próprio. E eu estou falando da Boa Vista de São Caetano.

Isso pode sim ser herança do plano real, mas tenho muitos motivos para acreditar que um outro governo não faria tudo isso.

Os últimos dois anos estão difíceis sim. Mas quem foi que prometeu implodir o governo? Quem foi que disse que iria fazer de tudo para arruinar o governo, porque perdeu as eleições? Quem foi que deu entrevista ao vivo na TV Senado assumindo que o impedimento foi por governabilidade, e não por crime?

ACM Neto obteve 73% dos votos, mas Célia Sacramento obteve 0,23%. Se acreditassem que o vice tem a mesma responsabilidade no governo, metade teria votado em Neto e metade em Célia.

A educação melhorou muito sim. Basta ir em qualquer Universidade Pública e perguntar aos professores como foi a era FHC e como a universidade recebeu recursos a partir de 2003. Só na UFBA, o tempo que fiquei, vi mais de 10 grandes obras sendo feitas. Só no Instituto de Matemática, o número de professores aumentou muito, porque com FHC tinha diminuído para menos da metade.

2018 vem aí e, mesmo não votando no PT no primeiro turno, espero muito que Lula esteja no segundo turno para eu votar nele, porque só de ver a EBC mudar seu discurso para defender corruptos, a gente percebe do que são capazes.

sábado, 8 de outubro de 2016

A vista da janela


Essa é a primeira imagem que vi da sociedade. Em mais de 20 anos, pouca coisa mudou nessa paisagem. Rio transformado em esgoto, casas que caem com a chuva, outras que inundam. Em todo verão, arraias que caem no Dique-esgoto e levam os entusiastas a correrem por elas, destoam da falta de lazer, faz-se opção única.

A gente até acha feio olhar para isso, esquecendo-se do fato de que olhar de lá para cá causa a mesma repulsa, as mesmas críticas de casas mal feitas, sem pintar, de que lá é favela.

Ali à direita há casas que afundaram em 1996. Nove famílias engolidas. No centro da imagem, asfalto e saneamento básico ainda são pautas de luta e promessas sem vergonha. À esquerda, casas ainda caem com chuvas, e um dos únicos dois campos de futebol disponíveis, feitos pelo povo.

Dos que eu sabia o nome, dezenas já morreram, por engano, por acertos de contas, por medo de si mesmos, por acidentes. Mas sei que, na verdade, foram centenas os que presenciaram essa sociedade por menos tempo do que eu. Os que sobrevivem, vivem a trabalhar, acreditando que um dia verão outra paisagem pela janela.

Pouquíssimos de nós puderam realizar o sonho de ser o que queria ser. E quem deveria ter que desistir de um sonho desse tamanho? É que a partir daqui, precisamos sonhar com 10 vezes mais forças para realizar. E ninguém pode ser culpado por não suportar tanta pressão. Quando algo acontece por aqui e os jornais querem mostrar que não somos de lá, dizem "nas proximidades de Salvador", ou "na comunidade de Boa Vista de São Caetano". Quando um morador ganha ouro olímpico, o bairro existe, a prefeitura o limpa, e a conquista é da cidade.

Como já foi decidido que não há espaço digno para todos, alguns precisam pagar a conta, precisam ter uma escola pior, nenhuma estrutura de lazer, nenhum posto de saúde, nenhuma praça, esgoto a céu aberto, nenhuma encosta de concreto, apenas três linhas de ônibus mais uma complementar. Alguns precisam trabalhar por conta própria, trazer trabalho para casa, trabalhar com os pais, e até não ter como trabalhar.

Seria muito fácil se tudo dependesse de querer. A gente aprende que é normal ser esmagado e aceitar de cabeça baixa, porque precisa ser honesto. A gente aprende que quando falta comida a culpa é nossa, porque não trabalhou o suficiente, ou não mereceu ganhar mais. A gente aprende que o tráfico vem pra cá porque aqui é lugar das coisas ruins. A gente aprende que se der algo errado, com certeza estava envolvido. E aprende que morar num prédio é ser superior.

Há 26 anos partilho a janela, a vista, a laje, os sonhos, os cansaços, os choros e os réveillons com toda essa gente. Nós cuidamos uns dos outros e rezamos uns pelos outros. Não é fácil subir tantas escadas e ladeiras todos os dias, nem sobreviver para contar. Não é fácil ter que mostrar ao mundo que algo está errado e mesmo assim ouvir que um "homem de bem" sofreu tudo isso e continuou "de bem". Não é fácil querer viver o que é nosso por direito.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O serviço político

O vereador que ajudei a eleger há 4 anos fez tudo o que prometeu e representou muito bem a população de Salvador. Lutou contra o governo de decretos do prefeito e denunciou o descaso com a educação, além da venda ilegal da merenda escolar. Participou de todas as manifestantes populares e foi contra o golpe.

Porém, ele se candidatou de novo. E aí, preciso lembrá-lo que cargo político não é de carreira, nem profissão. Meu voto não será dele novamente. 4 anos são suficientes para mudar os rumos de uma cidade, com novas leis e atualizações das leis defasadas, com transparência, combate à corrupção e valorização dos profissionais das áreas fundamentais para o desenvolvimento e a inclusão social.

Já que o congresso não vai colocar a reforma política de iniciativa popular para andar, vamos começar mudando as pessoas que estão nos representando, por mais que sejam honestas (o que é uma obrigação), para que outras pessoas possam contribuir diretamente, sem as velhas práticas.

Não reeleja políticos.

A incoerência dos armamentistas

"Eu tenho o direito de sacar minha 380 e atirar para me defender quando um marginal tentar me assaltar. Isso se chama legítima defesa." Dizem os defensores da revogação do estatuto do desarmamento.

Será legítima defesa atirar num político condenado por corrupção, ou só vale se defender do negro da periferia que não teve formação, e muitas vezes nem escolha, e que vai levar o celular de R$1.000,00?

"Excluído, iludido, quem nasce na favela é visto como bandido. Rouba muito, magnata: não vai para a cadeia e usa terno e gravata." - MV Bill

"Quando for roubar dinheiro público, vê se não esqueça que na sua conta tem a honra de um homem, envergonhado ao ver sua família passando fome." - MV Bill.

Existem várias formas de ver o mundo e opiniões são válidas, obviamente. Só que algumas convicções são contra os poderosos e outras, contra o povo.

Além disso, pesquisa do Instituto Sou da Paz aponta que 40% dos assaltos, em São Paulo, são cometidos com armas de brinquedo. É por isso que o estatuto do desarmamento foi um grande avanço: no mínimo 40% das pessoas que cometem assaltos não têm acesso a armas de fogo, sem falar nas que não assaltam porque não conseguem armas.

E aí, cidadão de bem, você prefere ser assaltado com arma verdadeira, ou de brinquedo? Tá vendo porquê o debate vai além da legalização do porte e da posse de armas? É preciso ensinar às pessoas que não precisam assaltar, é preciso mostrar as vias alternativas ao tráfico, é preciso fazer políticas públicas, e não dar armas a todo mundo "para se defender".

Fonte: https://goo.gl/NTi6na

domingo, 18 de setembro de 2016

Não quero ver você ir



O que eu não quero ver, nem ter que lamentar, é as expectativas, as lutas, as esperanças de um(a) adolescente se tornarem nulas, porque lhe esgotaram as forças, as lágrimas e as portas lhes foram fechadas. Porque, ao descobrir que a sua arte não é valorizada, que suas inteligências não são financeiramente atrativas, que o mercado é muito cruel com os sonhos da periferia, porque ao perceber que o mundo idealizado nas mídias prefere tomar-lhe a vida do que dar-lhe sucesso, aprende não será fácil constituir família, ou ganhar o dinheiro necessário para viver, mas sim apenas sobreviver.

O que não quero é chorar o fim material de alguém que tem tanto a contribuir, tanto brilho nos olhos, que faz bem a quem está perto, ou a quem lhe acompanha.

Mas, infelizmente, sei que vou chorar, como já chorei tanto por dentro com as notícias, ou ao lembrar das nulidades de vida, de cor, de sorrisos, que pude acompanhar pessoalmente. Vou chorar, e meus irmãos da periferia vão chorar, porque alguns outros decidiram que não cabe todo mundo nesse espaço, que não vale a pena dividir com todos nós. A gente vai chorar a dor das mães que deram tantos conselhos, mas também vai lembrar das dificuldades de se estudar por aqui, da criatividade necessária para ter lazer, do quanto ainda somos esquecidos, da rua que ainda não foi asfaltada, do esgoto a céu aberto, da casa que cai com a chuva, dos ônibus com baratas, das muitas escadas, ladeiras e becos.

O que eu não quero é esquecer de tudo o que a periferia dos centros urbanos faz na vida de uma pessoa. E, com toda certa, o que as pessoas da periferia fazem para o mundo é 99,9% bom. E aquele 0,1% é só devolvendo o que o mundo faz de tão cruel com a gente.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Protestos Fora Temer


Não espere ser tratado da mesma forma nos protestos.

Existe uma diferença crucial entre os manifestantes que tomaram as ruas contra Dilma e os que agora as tomam contra Temer. E não é a ideologia política, porque no fim, bem no fim das contas, quem está governando esse país é o congresso. Elegemos um congresso muito conservador em 2014. E o reflexo disso ainda está por vir. Serão as medidas tomadas para aliviar a crise que irão diferenciar esse congresso de um outro mais representativo dos interesses dos mais pobres.

O que diferencia você que protesta contra Temer daqueles amarelinhos que protestaram contra Dilma, é o que a Polícia faz com você.

Contra Dilma, transmissão ao vivo exaltando os manifestantes, pessoas em sua maioria de classe média e média alta. Qualquer ação da Polícia resultaria em inúmeras reportagens, identificação e prisão dos policiais, além da acusação do Governador, por ter ordenado ação contra o povo.

Contra Temer, nenhuma menção na TV (enquanto não puder chamar alguém de vagabundo), a maioria dos manifestantes vem da periferia, ninguém importante para garantir seus próprios direitos diante da Polícia. Assim, independente do partido do Governador, ele vai usar o poder que tem para dispersar a manifestação. É a pressão das pessoas importantes, com a mídia em silêncio, que garante que a Polícia pode fazer o que for possível para diluir todos os protestos.

Por isso que a Polícia pode cegar um cinegrafista, ou uma manifestante, e ficar por isso mesmo.

O fato dos manifestantes contra Dilma tirarem fotos com a Polícia não é porque eles são pacíficos e os contra Temer são vagabundos. Mas sim porque a Polícia não podia fazer nada antes e agora pode. A Polícia Militar é treinada para tratar o povo como inimigo de guerra. A situação que nos encontramos, travestida de guerra contra o tráfico, tem como uma das causas a maneira como a segurança pública é gerida: o povo é inimigo de guerra.

Então, não adianta ser domingo, de madrugada, com 10 pessoas. Não adianta você ir com flores para o protesto contra Temer, você vai levar bala de borracha, no mínimo. Quem comanda a PM indiretamente já autorizou o massacre. Vá preparado e muito atento.

E não descarte a possibilidade de ter que devolver as bombas lançadas. Porque a chapa vai esquentar.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O julgamento vingativo


Dilma mexeu no esquema de corrupção em Furnas, onde Eduardo Cunha era um dos líderes da célula criminosa (segundo Janot). Depois Dilma negou-se a defendê-lo no processo de cassação.

Eduardo Cunha usou o ódio que várias classes têm do governo populista para buscar uma forma de devolver o que sofreu. Nenhuma citação do nome de Dilma, nenhum ato pessoal contra o país, nenhuma conta no exterior, nada de enriquecimento ilícito.

Mas eles buscaram tanto que acharam: uma brecha na lei. A combinação de uma lei de 1950, com a Constituição Federal mais duas leis e os decretos presidenciais culminavam exatamente na única chance que teriam: era possível haver duas interpretações dos mesmos fatos, com as mesmas leis. Sendo assim, convencidos de que uma interpretação dava base jurídica para o processo de impedimento, bastava acertar com os senhores votantes, garantir-lhes vida política longa e, de quebra, levar o aplauso da população. População essa que sempre foi o objeto precioso em casa passo: uma parte precisa continuar mandando e a outra, continuar obedecendo.

Foi orquestrado com o TCU, que nunca havia rejeitado uma "pedalada fiscal" e o fez ao mudar sua interpretação depois do fato. O PMDB retirou-se da base do governo para comandar o país, novamente, a serviço dos sanguessugas de sempre. O PMDB apóia o lado "vencedor" desde 1964.

Com todos os elementos e porque 1,7 bilhão de reais não estava no seu lugar, está consumado. A história já transformou algozes em heróis, mas não para sempre. Essa é uma boa hora para acreditar que a consciência não morre com o corpo.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Pós-Olimpíadas



Perguntaram-me o que esperar do pós-Olimpíadas.

Eu realmente não quero que a gente volte somente para o futebol. Quero ver os campeonatos mundiais de Boxe, Canoagem, Taekwondo, Atletismo, Natação, Levantamento de peso, Handebol, Judô, etc. Quero que as TVs mostrem mais sobre tudo isso.

Mas também fica o desejo de que estejamos mais alertas aos esportes que nos surpreenderam e que os acompanhemos pela internet, nos sites das confederações.

E, mais importante, que a gente cumpra nossa responsabilidade com o futuro desse país: nunca desistir dos sonhos das crianças, que nunca neguemos a oportunidade de nossos e nossas filhos(as), sobrinhos(as), afilhados(as), etc, de praticarem os esportes que eles e elas quiserem.

Que antes de pensarmos em falar que as crianças e os jovens de hoje em dia não querem nada, lembremos o que fizemos com a oportunidade que tivemos, de canalizar a esperança que a Rio 2016 plantou em nós para melhorar a nossa rua, o nosso bairro.

Obviamente, os esportes não irão mudar tudo, mas esses 17 dias nos mostraram muita coisa, nos deram muitas esperanças, porque fomos nós que acolhemos, que fizemos acontecer e mostramos ao mundo do que os países em desenvolvimento são capazes.

Enfim, hoje é um dia que eu definitivamente queria poder estar na sala de aula, para passar a emoção de fazer parte daqueles que têm a chance de recomeçar muito do que perdemos ultimamente.

domingo, 21 de agosto de 2016

O legado da Rio 2016



As Olimpíadas estão terminando neste dia 21. Segunda, todos os programas de esportes, inclusive os da TV fechada que duram de 3 a 4h, voltarão a noticiar apenas o futebol masculino.

A verdade é que a TV não tem a menor intenção de veicular a imagem de Rafaela Silva, da Cidade de Deus, do Instituto Reação, nem da Boa Vista de São Caetano, em Salvador, com Robson Conceição mudando a história do bairro, nem Isaquias Queiroz exaltando a presença negra nos pódios, nem a força das mulheres, que nem clube têm, e defendem a seleção de futebol como o fizeram na Rio 2016 e tantos outros exemplos, que são de superação, mas infelizmente são de exceções.

E é a existência dessas exceções que confirma a regra que transformar a periferia, para que não precisemos sair dela, só faz parte das ações de quem batalha todos os dias para sobreviver, ou de quem conseguiu sair da curva.

A TV não vai nos lembrar que esses e muitos outros atletas (desde a classificação estadual até o ranking mundial) ganham bolsas entre R$390,00 e R$15.000,00 por mês, além do salário de R$3.200,00 numa parceria entre Ministério dos Esportes e Ministério da Defesa para atletas de alto nível.

Segunda-feira, as escolas públicas irão continuar sem incentivo à prática dos esportes, sem materiais, porque o dinheiro nem chega. Segunda-feira, a magia contagiante da prática esportiva, o entusiasmo, a torcida ímpar, a mudança que necessitamos há tanto, estarão no passado.

Porém há a chance de fazer esse presente perdurar, porque ainda não acabou. Ainda há a chance de motivar crianças, de procurar projetos sociais, academias, escolas específicas, e que essas instituições se espalhem pelo Brasil, e matricular nossos filhos, sobrinhos, afilhados, onde eles e elas quiserem se aventurar.

E assim, talvez aprenderemos a nunca desistir dos sonhos de uma criança.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A autoridade perdeu o juízo



Faz algum tempo que os novos tempos chegaram e, com eles, muitos paradigmas começaram a mudar. A ideia de mundo líquido do Filósofo Zygmunt Bauman faz-se presente em quase todas as relações interpessoais. "Não há mais conceitos sólidos. A pós-modernidade é vivida ignorando as divisões, com formas diferentes, ocupando espaços e diluindo certezas, crenças e práticas."(1)

Hoje, numa sala de aula, os alunos podem acessar mais informações com seus celulares, do que o professor pode "puxar" na mente para responder questionamentos. Antes mesmo de o gerente de uma loja vir resolver questões, o consumidor já pode encontrar na internet várias pessoas lesadas da mesma forma, inclusive qual artigo do Código de Defesa do Consumidor ajuda-lhe. Populares impedidos de manifestar-se podem questionar à Polícia imediatamente sobre direitos fundamentais garantidos na Constituição. Fiéis das mais variadas Religiões e Igrejas ressignificam a ideia de Amor. Pela primeira vez na história, são os jovens que dominam a informação, e não os mais velhos. A tecnologia trouxe avanços e crise. Como sairemos dela?

Desde a metade do século 20, o Brasil foi apontado como país do futuro várias vezes. A última em 2009, quando a The Economist nos colocou em sua capa. Agora, nas Olimpíadas, todos fazem questão de lembrar: "Quando o Brasil foi escolhido, vivíamos outro momento, éramos o futuro. Não somos mais." Interessante como o mundo líquido é muito mais líquido quando o assunto é colocar um país em desenvolvimento no seu lugar. O mercado financeiro exalta e derruba quem ele quer, rapidamente, mas para que isso aconteça é preciso que o país esteja com crise de autoridade.

Com tamanhas mudanças, não há mais espaço para relações verticais. Não existe mais detentor de inteligência e receptor de informações inerte, como determina o "Programa Escola Sem Partido", que evoca conceitos Durkhenianos para justificar seus absurdos. Quem o propõe, deixa óbvio que não está sabendo lidar com esse mundo. É por isso que preferem defender a psicologia da educação do início do século 20, onde os professores são detentores de todo o conteúdo e os estudantes apenas receptores. No fundo, a classe política perdeu a autoridade e não têm a mínima ideia de onde recuperá-la.

Como o professor historiador Leandro Karnal lembra sempre: não podemos confundir o fim do mundo com o fim de um mundo. O mundo que existia na década de 1990 quase não existe mais. Há muita diferença. A título de comparação, continua Karnal, se um homem dormisse no Século 13 e acordasse cem anos depois, quase nada estaria diferente, ele conseguiria se comunicar e usar as ferramentas. Por outro lado, alguém que dormisse na década de 1980 e acordasse em 2016, não conseguiria se comunicar, pois até a linguagem mudou bastante. Sem falar das ferramentas tecnológicas. O mundo do homem de 1980 já acabou.

Assim, talvez a "categoria" que mais sofra com o turbilhão de mundos que surgem e passam cada vez mais rápidos, é a das autoridades. Autoridades políticas, sociais, militares, comunitárias, etc. O que antes era admitido como verdade absoluta, pode não ser mais tolerável numa simples discussão. Argumentos do tipo "sempre foi assim" caíram no limbo. É sabido que há tradições milenares que ainda fazem sentido. E, obviamente, não é possível dizer que tudo morreu, porém a convivência e a maneira como as relações se dão, mudam constantemente.

As relações, agora, não admitem verticalidade. O que é imposto "de cima pra baixo" não é mais saudável aos nossos tempos. Por isso, há uma crise muito grande de referências. Em quem vamos confiar? Quem pode falar por nós? Quem de fato nos representa? As atuais autoridades viveram um mundo que não existe mais. Cresceram numa época em que os adultos tinham toda a razão e hoje são adultos na época em que os jovens têm a razão e o domínio das ferramentas. Houve a quebra de um paradigma imenso.

Ao olhar para a realidade, inegavelmente perguntamo-nos de onde virá a solução. Quem tem o poder, ou a autoridade, de religar as pontas quebradas e restabelecer um curso "normal" para a história? A resposta é dolorida, mas óbvia: as autoridades.

Perdemo-nos no tempo, principalmente na tarefa de cumprir as nossas responsabilidades. Infelizmente, são os professores, os policiais, os políticos, os líderes estudantis, os líderes sindicais, religiosos, as mães e os pais, que não estão preparados para seus deveres.

Desde muito tempo, a juventude foi acusada com o jargão "No meu tempo não era assim, o jovem respeitava a moral e os bons costumes." Esse é o clássico sinal de que a pessoa perdeu-se no tempo e, pior ainda, não admite que seu mundo tenha ficado para trás. Fala-se mal dos jovens desde antes de Cristo.

Esse nosso mundo vai passar e provavelmente não temos mais o que fazer com ele. Mas como sair bem dessa crise? Como entregar aos próximos jovens um mundo, que sem dúvida será líquido, porém com gerações conectadas e cooperativas?

A chave está na horizontalidade das relações. Ser horizontal é preferir o círculo, onde todos contribuem com todos, segundo a sua habilidade. A horizontalidade depende da troca de experiências e do desejo de absorver conhecimento, independente de com quem seja. Isso tudo deve ser apreciado, mas sem perder a autoridade, porém nunca exaltar o autoritarismo. O autoritarismo é obediência cega, onde não há um único questionamento. É importante lembrar que a iniciativa deve ser da autoridade. Exercer autoridade horizontal requer respeito e companheirismo, escuta e debate saudável, vigilância das leis e perseverança.

Dessa forma, professores precisam conhecer as teorias da educação, policiais precisam conhecer seus estatutos, políticos precisam ser honestos, líderes estudantis precisam de ampla formação, líderes sindicais precisam garantir os direitos dos trabalhadores e pais e mães precisam aprender a educar seus filhos. Tudo isso, da forma mais circular possível, onde o diálogo supere os monólogos, onde garantias constitucionais e legais sejam respeitadas na sua totalidade, onde o todo seja beneficiado, em detrimento da manutenção do status quo, onde a essência coopere para com todos, onde não haja medo, mas respeito e aprendizado mútuos.

Um passo simples, porém significativo, é ouvir as outras pessoas sobre suas necessidades. E quando se está numa posição de autoridade, dar a oportunidade de que outras pessoas falem e tentar agir numa linha o mais próxima possível daquilo que é mais evidente e necessário, é essencial para que as relações não se quebrem. Em todas as esferas, o diálogo que resguarda os direitos fundamentais e as garantias constitucionais das pessoas, sempre será o melhor caminho. Pois enquanto o orgulho de cada um reivindicar seu nome na história, estaremos deixando o melhor dela correr por nossos dedos.

Citação (1): http://goo.gl/35F7CX

A educação é o caminho



Existe uma coisa que os golpistas não podem mudar: minha geração cresceu junto com o acesso à internet, da periferia entrou na Universidade, adquiriu senso crítico e tem a oportunidade de transformar o futuro do país.

Nossos filhos não estarão à margem, como nós estávamos há 15 anos. Nossos filhos já nascerão com futuro. Terão bisavós que aprenderam a ler depois de idosos, avós que voltaram pra escola adultos e pais e tios com nível superior.

Por mais que os mais ricos queiram colocar os mais pobres no "seu lugar", o tamanho do estrago que a periferia vai causar nos grandes monopólios ainda não pode ser calculado. A casa grande surta quando a senzala aprende a ler.

domingo, 25 de outubro de 2015

E nem deu errado. O ENEM deu certo!



Um grande professor mostrou-me que a educação pública, estadual e municipal, é muito melhor do que pensamos. Claro, como alguém que está inserido nesse sistema, é inegável que eu concorde que está muito, mas muito longe de ser a ideal. Porém, como eu disse, é muito melhor do que saímos dizendo por aí.

O primeiro grande motivo é que na escola pública estão as pessoas que são atingidas diretamente pela ação, ou negligência, do Estado. São os estudantes da escola pública que podem observar de perto a verdadeira face das grandes cidades, ou das comunidades rurais, e, se são convidados a olharem com outros olhos para si mesmos, seja por outras pessoas ou pela própria consciência, começam um movimento de mudança da realidade.

Outro grande motivo é que os professores e as professoras da escola pública são muito competentes e têm a possibilidade de despertar a consciência crítica nos seus alunos. Se o professor, ou a professora, conversar sobre a redução da maioridade penal numa escola particular, corre o risco de receber o pai policial de algum aluno perguntando-lhe por que ele(a) apoia bandidos. Se o(a) professor(a) de matemática resolver conversar sobre os movimentos sociais e a repressão policial comandada pelo Estado, a mãe juíza de algum aluno irá à escola questionar por que o(a) professor(a) está ensinando seu/sua filho(a) a ser "black bloc vagabundo(a)". Se eu resolver parar a aula para contar uma história de superação, minha, ou de outra pessoa, os alunos da escola particular irão perguntar por que não estou falando do assunto da minha disciplina, por que estou gastando o dinheiro dos pais deles com besteira. Se eu colocar uma frase de MV Bill no quadro de uma escola particular, poderei receber um convite de reunião com a direção. Mas faço isso tudo na escola pública e tenho certeza de que meus alunos saem das aulas, no mínimo, questionando-se por que aquelas palavras, por que aquelas histórias. 

A professora, o professor, da escola pública é vista(o) como alguém que traz conhecimento além da sua disciplina. O professor, a professora, da escola particular é vista(o) como empregada(o), que deve seguir os passos engessados escolhidos no início do ano.

Quando um(a) estudante da escola pública coloca-se a favor da redução da maioridade penal, eu sei que sua posição foi pensada por outros, para que ele(a) pense e aja contra si mesmo e contra os que o(a) rodeiam. Quando um(a) estudante da escola particular coloca-se a favor da redução, eu sei que ele(a) está defendendo seus interesses, interesses de sua família, de seu círculo social. Não posso acreditar que são posições equivalentes. Por isso, os estudantes da escola particular nem escutam o(a) professor(a), sobre ser contra à redução, enquanto os estudantes da escola pública saem da aula pensando no assunto. 

Outro motivo é que a mobilização social dos(as) estudantes da escola pública é muito maior do que a dos(as) estudantes das particulares. Não fossem os(as) estudantes das escolas públicas, as passagens de ônibus estariam muito maiores hoje em nosso país, nem haveria passe livre em algumas cidades. Não fossem os(as) estudantes das escolas públicas, não haveriam muitos debates complexos nas esquinas, nas ruas das periferias. Eles e elas sabem problematizar e solucionar a realidade. As questões políticas tratadas pelos(as) estudantes da escola pública são diferentes das tratadas pelos(as) estudantes da escola particular. Por isso, as posições ideológicas daqueles(as) não podem compactuar com as destes(as). O debate político acontece, sim, na escola pública. 

A construção de uma sociedade mais justa, ética e moralmente aceitável perpassa pela movimentação política (partidária, ou não) dos(as) seus(uas) cidadãos e cidadãs, sendo que a base, que é formada pelas massas populacionais, é o local da ação dessa movimentação. Dessa forma, as lutas das periferias, dos(as) marginalizados(as), dos(as) ribeirinhos(as), dos(as) camponeses(as), dos(as) indígenas(as) constituem a pedra angular dessas transformações.

Falar de mudança de paradigma numa proposta de sociedade que descarta as pessoas quando deixam de oferecer o que o capital acha aceitável, é ser ousado(a) o bastante para acreditar na revolução popular como saída da crise existencial dessa proposta. E essa crise se reflete nas perseguições planejadas contra o povo. O machismo, o sexismo, a homofobia, o patriarcado, a violência contra a mulher, contra crianças e adolescentes, etc., são consequências diretas do pensamento de que pessoas são descartáveis.

A escola pública acrescenta aos(às) seus(uas) alunos(as) o debate a partir da realidade e a autonomia dos seus professores torna o caminho ao reconhecimento de suas capacidades e de seu protagonismo, possível. Por isso, o debate sobre as formas e as ferramentas necessárias para mudar a realidade, é tão importante desde o ensino básico.

Ao encontrar todos esses assuntos na prova do ENEM, os(as) estudantes da escola pública percebem-se parte da construção social baseada em ideais revolucionários. A prova convida os(as) candidatos(as) a refletirem sobre as questões de gênero, sobre a ditadura, sobre as ideias de coletivo de Paulo Freire, etc. Essa é uma resposta, um posicionamento, do MEC em favor da consciência crítica desenvolvida nas escolas públicas, em favor de que esses sejam os ideais dos estudantes que ingressem numa universidade pública. Afinal, esse é o local de direito dos estudantes da escola pública.

Assim, ocupar os espaços públicos, que são nossos por direito, desde a universidade pública às salas de aula das escolas públicas como professores e professoras, conscientes do nosso papel social, da construção daquilo que chamo de Civilização do Amor.

E aos defensores das políticas de ódio, das leis de Talião, dos descartes populacionais, é importante lembrar que o choro é livre e vocês não passarão.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Não tenho mais Palavras!

Ô galera, estou aqui estudando para uma prova que acontecerá amanhã. Estou na madrugada, porém não posso deixar de comentar e me indignar com o que aconteceu há algumas horas.

Os deputados aprovaram o aumento salarial, em tempo record, para R$26.723,13.

Gente, eles trabalham 3 dias por semana e ganham 15 salários por ano. Eles simplesmente aprovaram aumento para todos os Senadores, Deputados, Presidente da República, Vice-presidente da República e Ministros para absurdos R$26.723,13 por mês. Quantos pais de família desse país não ganham isso se juntar todas as economias do ANO INTEIRO???

Vamos fazer uma comparação rápida?

NOS Estados Unidos:
SALÁRIO MÍNIMO: 1.256,66 dólares
SALÁRIO DOS DEPUTADOS: 14.866,67 dólares

NO BRASIL:
SALÁRIO MÍNIMO: 300,00 dólares
SALÁRIO DOS DEPUTADOS: 15.719,55 dólares

Impressionante, não? Nosso salário mínimo é 4 vezes menor do que o dos EUA e mesmo assim nossos deputados ganharão mais do que os deputados dos EUA.

Eu não tenho mais nada pra falar, depois dessa comparação meu estômago revirou.

Vamos mudar isso galera, não vote nesses caras. Se vocês pudessem ver minha expressão facial agora, com certeza jamais esqueceriam esse texto.

É bom lembrar que o PSOL foi contra o aumento (na câmara). No senado SÓ MARINA SILVA (PV) E ÁLVARO DIAS (PSDB) FORAM CONTRA.

Leiam mais clicando aqui, pois eu não tenho mais palavras.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mulheres

Música do MV Bill no álbum lançado em 2010 (Causa e Efeito)

Essa música retrata a realidade de muitas famílias da periferia brasileira! Abram o olho! Ainda há tempo para mudarmos a triste realidade, porém estamos caminhando para um lugar sem volta! Vamos trabalhar juntos por todos os Brasileiros!



Mulheres - MV BILL



Cada mãe sabe a dor que sente
quando vê o filho sendo queimado como indigente
na mão de nossa gente do mesmo ambiente
Lógica contraria infelizmente
mãe que prepara o velório da filha
vê o bem mais precioso rubi familia
o rosto trás marcas das porradas da vida
com a proximidade da conduta bandida
o coração "chei" de calo,
e a naturalidade de quem já viu várias almas ir de
ralo
faz vela mais forte, às vezes insensível
levando na guerrilha do jeito que é possível
mãe que chora, se humilha, levanta
com o óbito do filho entalado na garganta
faz oração pra santa, de vez enquanto ela canta
pra ver se todo mal a voz espanta

Essa é só mais uma dor que o tempo não vai curar

com o passar pode até cicatrizar
a vida não te deixa mais sorrir
estrague inevitável que te faz sentir
menina que vem, bandida que vai
no ambiente destruído é difícil ter paz
mais a vida não acabou não

Novinha acordada a noite inteira

diversão de falcão conhecida como boqueteira
adolescente, conduta, adulta tratamento vip pior que
prostituta
inicio da vida parece momentos finais
contato íntimo por causa de 5 reais
vive seu drama, bem longe da cama
trabalha com a boca quando um jovem lhe chama
uma pedra de crack é o pagamento
às vezes vai pó, beck depende do momento
aparentemente sem prazer, faz por fazer
se arrisca sem ter medo de viver
ausência do amor com a presença do dinheiro
faz a mãe levar a filha junta pro puteiro
saliva com sêmen, meninos que gemem
as pernas e as estruturas se tremem

Essa é só mais uma dor que o tempo não vai curar

com o passar pode até cicatrizar
a vida não te deixa mais sorrir
estrague inevitável que te faz sentir
menina que vem, bandida que vai
no ambiente destruído é difícil ter paz
mais a vida não acabou não

presidiária solitaria na sela
andorinha na gaiola com saudades da favela
assinou delito por causa do marido
ex-presidiário hoje solto e não é mais bandido
foi fortalecido por ela enquanto preso
ela rodou, ele foi solto e não fez o mesmo
hoje ela paga o preço abandonada
cheia de esperança na visita mais nunca tem nada
encontra abrigo nas colegas de prisão
dividem o abandono e a falta de atenção
se relacionando com outra mulher,
as leis do cárcere não exatamente o que ela quer
mais o que tem, sem ter o carinho de alguém da familia
sem noticias da filha que pode tá na trilhar
da quadrilha que pois sua mãe nessa guerrilha
a lágrima no rosto dela brilha.


Essa é só mais uma dor que o tempo não vai curar

com o passar pode até cicatrizar
a vida não te deixa mais sorrir
estrague inevitável que te faz sentir
menina que vem, bandida que vai
no ambiente destruído é difícil ter paz
mais a vida não acabou não.

Essa é só mais uma dor que o tempo não vai curar
a vida não te deixa mais sorrir
menina que vem, bandida que vai
mais a vida não acabou não.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Remedeia Brasil! Remedeia que a Ferida está ENORME!

Começaremos a segunda década do século XXI em algumas semanas. São 2.011 anos desde que Jesus Cristo nasceu, sem falar nos 10.000 anos que se tem notícia antes dEle. E eu, com “apenas” 20 anos tenho alguns aspectos a tratar sobre a sociedade brasileira. Já falei sobre Igreja católica, sobre amizades, sobre política, sobre o descaso das elites; porém ainda não falei de um assunto que me indigna todas as vezes que penso nele. Isso me deixa muito angustiado e com um nó na garganta, todas as vezes que vejo acontecer.

É hollywoodiano - e Maquiavélivo - “Os fins justificarem os meios”. Segundo a psicologia a mente de um Serial Killer funciona assim: tudo o que ele faz é para justificar o que deixou de fazer, ou tudo o que sofreu no “meio” do caminho. Se a frase “Os fins justificam os meios” fosse um Teorema, um de seus corolários seria: “É melhor prevenir do que remediar”. Mas se você estiver atento, com certeza virá à sua mente, quantas vezes nós remediamos e sequer pensamos em, um dia, prevenir...

E é esse meu tema hoje. Não é de hoje que tenho as ideias que escreverei posteriormente, porém depois de tantos acontecimentos em 2010, prefiro não esperar para ver 2011 passar sem ao menos reclamar e perguntar, coisas que faço tão bem.

Começando pelo mais recente, a subida das forças armadas ao “Complexo de favelas do Alemão” custou 60 milhões de reais aos cofres públicos (leia: aos bolsos de todos os brasileiros), isso sem falar quanto mais vai custar a estadia dessas forças até outubro de 2011, quando elas darão lugar à UPP. Agora, meus caros, eu pergunto: E se esses 60 milhões fossem aplicados há 20 anos para construir escolas? E se esse dinheiro fosse para pagar os professores dignamente?
Para quem não sabe, os deputados federais ganham um salário de 16,5 mil reais por mês, trabalham 3 DIAS POR SEMANA E GANHAM 15 (eu disse 15) SALÁRIOS POR ANO! Se somarmos tudo o que cada deputado ganha para pagar seus funcionários que eles mesmos escolhem, além de passagens aéreas, combustível, telefone, TV a cabo, apartamento, verba indenizatória (pra quê???), chega aos 100 mil reais por mês. Isso é o maior assalto que todos nós sofremos. Não há explicação para tanto roubo. Esses caras já ganham tanta mordomia que deveriam ganhar um salário mínimo e mais: seus filhos deveriam, obrigatoriamente, estudar em escolas públicas brasileiras.

Não adianta gastar milhões de reais com cadeias, pois 95% das cadeias brasileiras são verdadeiras bases para o tráfico, onde os detentos não aprendem nada, além de se tornarem mais marginais. O pior é que quando um inocente, ou um que roubou para conter a fome, cai numa cadeia dessas, sai de lá do jeitinho que a sociedade opressora quer, totalmente mudado.

O Brasil deveria ser um grande país e não apenas um país grande. Entendo que já nascemos para sermos explorados pela Europa. Nossas riquezas foram jogadas em navios e levadas para enfeitá-la, infelizmente; mas dizer que a realidade ruim de hoje é conseqüência única e exclusivamente disso é aceitar que os fins justificam os meios. É inacreditável como os mesmos ladrões continuam na política: Sarney, Collor, Maluf, Palocci, Aécio Neves, José Roberto Arruda, porra, é tanta gente que se eu colocar todos você vai ficar um dia lendo esse texto, mas se quiser ver a lista dos maiores escândalos do Brasil clique aqui.

Todos esses ladrões de dinheiro público, ou seja, pessoas que pegam nossos impostos e colocam no bolso, pessoas sem um pingo de amor pelo Brasil, que já ganham salários absurdos e mesmo assim não têm vergonha de serem filhos da puta para conosco!!! Quem não se lembra do Slogan* de ACM: “Ele rouba mais faz!”? Porra, quem rouba não faz! No mínimo faz menos do que deveria fazer, com um dinheiro suado dos peões que trabalham 10h por dia.

Outro grande problema do Brasil é as Cotas. Quem é a favor das cotas para estudantes de escolas públicas, ou para negros em universidades públicas comete um grande erro relativo aos fins justificarem os meios. Gostaria de ressaltar que do jeito que a Educação Básica está as cotas são necessárias, mas o Governo simplesmente fez um plano para “eternizá-las” nas Universidades e isso está erradíssimo. O DEVER de toda nação é dar uma escola pública de qualidade para seu povo, pois só a educação resolve tudo o que já foi discutido nesse texto. Com educação a base familiar melhora, as alienações tendem a zero, as pesquisas científicas do país aumentam, o país passa a ser reconhecido como um bom lugar para se estudar, os políticos realmente bem educados não roubam e por aí vai. Eu sou completamente a favor de o Governo pegar tudo o que tem e investir na Educação. Não tem outra saída. Se continuarmos remediando, vamos continuar dando cotas. A escola pública brasileira é feita de Teorias, não há um ensino embasado em projetos futuros, profissões que os alunos querem seguir. Seria muito melhor se aprendêssemos como plantar e cuidar de uma árvore do que aprender como ela faz fotossíntese. Se a educação pública for boa, não precisamos de cotas. Eu sou uma testemunha viva (por enquanto) de que as cotas não funcionam. Os alunos de escolas públicas, na sua grande maioria, não estão preparados para entrarem numa boa universidade, pois não conseguem acompanhar as aulas, não estão acostumados com o ritmo que há na universidade, essa é a verdade. O índice de abandono é altíssimo, e tudo isso é custo para o governo que gasta com uma sala que cabe 50 alunos, mas só tem 4. Isso é remediar.

Outro grande problema do nosso Brasil: A Política do Pão e Circo, usada na Roma antiga e que nos persegue até hoje. Não temos muito a ver com o Império Romano, porém as ideias para deixar o povo mais burro, mais pobre e menos questionador seguem o mesmo princípio: lá o governo financiava as lutas de gladiadores e davam pão para os que iam assistir, para fazer com que eles esquecessem seus problemas e não se levantassem contra o Império. Eles chegaram a ter 175 feriados por ano. Que coisa ruim, hein? Fazer isso com o povo. Mas pensem agora: o Brasil é o país do futebol, “fabricamos” os melhores jogadores, apesar de não termos estrutura nas categorias de base. Fazemos questão de irmos aos estádios gritar pelo nosso time e no dia seguinte aos jogos, geralmente às segundas-feiras e às quintas-feiras, só falamos sobre eles e esquecemos o que realmente deveríamos conversar. Esse é o nosso Circo, inclusive o “Jornal da Globo”chama o campeonato Brasileiro de Picadeiro e faz charadas onde os times ficam dentro de um circo, será que eles estão tentando alertar algo? Acho muuuito difícil. A Globo é a maior opressora e alienadora, dentre as empresas privadas, que existe no Brasil. Claro que nós escolhemos sermos assim... O controle fica na nossa mão, literalmente. A Globo continua a nos manipular porque não mudamos o Canal (a Record dá no mesmo! Na verdade, TV aberta Brasileira é tudo assim: manipuladora, mas só porque nós deixamos). Aí você se pergunta: Certo, o Circo existe no Brasil; mas, e o Pão? Eu te respondo com as seguintes perguntas: Será que existe, no Brasil, algo que se assemelhe ao pão romano? Algo que dê ao povo comida para fazer com que o governo seja louvado??? É isso mesmo! O “Bolsa Família”! Dinheiro às famílias mais pobres para ajudar nas despesas. Esse programa seria perfeito, não fosse seu principal objetivo: Remediar. O Bolsa família remedia a falta de investimentos em infra estrutura no país, remedia a falta de escolas, a falta de emprego e as dificuldades que o povo do interior passa. O Bolsa família é o maior “Cala a Boca” da história do Brasil. Lula foi reeleito e Dilma foi eleita por causa desse programa. Agora, o que seria o Bolsa família ideal? Assim como todas as bolsas de incentivo financeiro, ou todo programa que incentive o cidadão de alguma forma, o bolsa família deveria ser uma bolsa TEMPORÁRIA para ajudar na hora da necessidade extrema e não um salário para se viver. Por causa dessa “ajuda” do governo, pessoas estão deixando de trabalhar para viver só do auxílio. Estão desistindo de sonhos porque o governo assegura seu feijão no fim do mês. O Bolsa família deveria ser o início de uma vida melhor e não a continuação da vida miserável do povo. É isso que me indigna. Uma nação tão desenvolvida em alguns pontos e tão atrasada em outros.

E o pior disso tudo é que se eu, simples mortal, tenho todos esses pensamentos que você leu, imagine os Deputados e Senadores? Eles sabem disso tudo e muito mais, entretanto (para lembrar-se de Franklin de “Eu, a Patroa e as Crianças”) o brasileiro aprendeu culturalmente a olhar somente para o próprio umbigo. 80% dos Políticos dariam risada se lessem esse texto, pois 99% da população nunca se questionou. Não trabalhamos pelo compatriota, não ajudamos o outro brasileiro. Nós só fazemos algo pelo Brasil quando nossos bolsos vão lucrar. Essa é a verdade que contesto e que não vou parar de contestar até morrer, ou quem sabe, até mudar!

*O Slogan de ACM faz alusão ao que o POVO falava (e fala até hoje), e não ao que o Próprio tenha falado.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Xenofobia Não!!


Sabem, eu amo tanto o meu país que daria a vida por ele, sem exagero. Se eu tiver de escolher entre a vida dos brasileiros e a minha, ficaria com a dos brasileiros, ou então, a honra de ser brasileiro.

O Brasil é o quinto maior país do Mundo, é o maior exportador de vários produtos. E nós, aqui, nos chamando de burros, nos desejando a própria morte.

O que aconteceu, depois da eleição, no Twitter, só mostra o que realmente o brasileiro é: Um povo sem cultura, sem nacionalidade, sem inteligência, sem o mínimo de amor por si mesmo. Não é isso que Jesus pediu: "Amai-vos uns aos outros como a Ti mesmo"? "Prova de AMOR maior não há que doar a vida pelo irmão". Porra, o brasileiro está se destruindo, pessoas que só vão para a escola fumar maconha, faltar às aulas, xingar e bater nos colegas e professores.

Só irão perceber a merda que fizeram quando precisarem lá na frente, e só haverá um caminho, e sem volta.

Como pode um BRASILEIRO do SUDESTE desejar a MORTE de um NORDESTINO, porque o NORDESTINO fez valer o SEU voto? Como pode uma pessoa em SÃ consciência dizer que quer me ver morto, afogado? Ou então numa CÂMARA DE GÁS???

Mas que merda é essa que vocês estão bebendo? Que merda é essa que vocês inspiram que deixa-os com essa atitude???

Desejar que Hitler mate os nordestinos; cara, olha o que você disse! Você desejou a morte de seus compatriotas. Isso é desejar a morte do seu próprio país. Claro que isso, para você, só vai significar ficar sem copa do mundo para torcer.

O Brasileiro só é brasileiro quando vai pra fora, porque tem de dizer de onde é, ou nos jogos de futebol. 99% não sabe cantar o Hino. Não sabem que há na bandeira do PAÍS que eles nasceram escrito: "ORDEM E PROGRESSO". Porra, onde está a ORDEM num pedido de assassinato? Onde está o PROGRESSO num pedido de volta do NAZISMO?

E O PIOR! ISSO TUDO É CONTRA O CARA QUE NASCEU NO MEEEESMO PAÍS QUE VOCÊ.

Todo mundo joga os muçulmanos no inferno. Quem prova que irão pro inferno??? ELES LUTAM POR SEU PAÍS SE MATANDO POR ELE e JAMAIS MATAM UM DOS SEUS. Mas o "Brasileiro" quer ser o melhor: quer "se auto suicidar-se a si mesmo".

Como assim: O sul é melhor do que o Nordeste?? O que é ser melhor? É ter mais dinheiro? Será? É ter mais recursos naturais? Será?

Sou baiano e nada vai tirar meu orgulho de ser nordestino.

O que o Sul diz do nordeste é o mesmo que o mundo fala do Brasil todo: "É o país das mulheres fáceis"; "É o país onde tudo é festa"; E cadê a frase: "Deus é BRASILEIRO"? Não há mais isso entre nós. O Brasil surgiu no Nordeste. A primeira Capital do Brasil fica no Nordeste. Quem sustentou o Brasil por 3 séculos foi o Nordeste. Quem se lançou nas estradas para trabalhar pelo BRASIL foi o Nordestino. Quem corta a cana pro Sul transformar em açúcar e álcool é o Nordestino. O que aconteceu é algo alarmante, que significa que o Brasil precisa "fechar pra Balanço". Esse é o povo é muito alienado.

O Brasileiro está falando do próprio brasileiro, o que o Europeu fala do Brasil, o que o Estado Unidense fala do Brasil. Isso é ser Marionete, porra!!!


São Paulo se diz "independente" e não precisar do país... Mas pra quem viu na reportagem da "Super interessante" se são paulo fosse um país, seria tão "miserável" quanto o Brasil, pois o que não tem lá, eles pagariam mais caro para ter do Brasil.

O mais engraçado é que a maioria dos que falam mal do Nordeste é quem vem curtir nossas praias, nossos carnavais e as férias por aqui. E além disso, a maioria desse pessoal tem medo de mostrar a cara, porque sabe que está fazendo uma merda ao dizer aquelas coisas. Eu não! Eu falo de cara limpa, porque falo a verdade para meus leitores, não nego que me sinto cada vez menos brasileiro e mais nordestino com esses comentários de alguns idiotas que nem saíram das fraldas ainda.

E nem quero entrar no mérito dos "nordestinos ilustres", pois como diz Nizan Guanaes, no nordeste eu não me destaco, todos são nordestinos!


Só pra terminar, Dilma teve 18 milhões de votos no Nordeste e 22 milhões no Sudeste. QUEM ELEGEU DILMA???

E para quem quiser saber: eu votei nulo.

Acessem e vejam a Xenofobia idiota

domingo, 31 de outubro de 2010

Causa e Efeito - MV Bill








Hã...

Pouca coisa mudou
O responsável pela nossa tragédia não assimilou
Que pra mudar é necessário mais que um discurso...
no percurso falei com gente estúpida
Penso no que diz nossa bandeira fica em dúvida
O que será que eles acham de nós
que não sabemos falar?
que não sabemos votar? Há

Nossa voz ta no ar
Por mais que eu tenha espírito de mudança
vejo contradições que me causam desesperança
Cansa ver tanta gente ignorante
Tratando gente humilde de forma arrogante
Deselegante ao lidar com a maioria
Que fala com sotaque de periferia
Na correria, sobrevivendo a covardia
Daqueles que nos retribui com antipatia

A superação me emociona
Mas a apatia dos irmãos me decepciona
Vivemos da democracia que não funciona
Condição social que aprisiona
Vários vão a lona
Sentados na poltrona
Recebendo ordens que serão ditadas na telona
E nos deixam como herança
Uma verdadeira erupção de criança na minha lembrança
Não da pra esquecer o que eu vi (na lembrança)
Não da pra esquecer o que senti
percebi...

Que a policia continua sendo o braço governamental
Na favela discimina o mal
Com suas fardas e caveirões
A serviço daqueles que controlam opniões,que roubam
milhões, donos de mansões
Constrói a riqueza com a fraqueza de multidões
Tubarões...
engolem o peixe pequeno
Não vejo plantação de coca no nosso terreno
Vai além...vejo plantações de vida
de sonhos, de morte, ferida
Que não cicatriza, que não ameniza
Se o clima tiver tenso a paz não se estabiliza
Pra mim é muito fácil de ser entendido
Sem educação vários de nós vai virar bandido
E a nossa pena não é branda
Perdemos a infância, a juventude a fila anda
Menos pra quem tem família com dinheiro
Que paga pelo erro do filho o tempo inteiro
Atitudes que eu não me identifico
Bateram na empregada só porque o pai é rico
Pai que vai a público falar de ética
Sem saber que o filho é envolvido com droga sintética
Vida frenética, fazendo merda pela rua
Com a certeza que a justiça é menos energética
Não é assim com a gente,
Nova operação policial leva a alma de um inocente
Deixa a criança ferida
Com bala perdida
Mais punição como medida
Revelando a incompetência
Tenho complemento no refrão que há na sequencia


Combatente não aceita
Comando de canalha que a nós não respeita
Excluído, iludido
Quem nasce na favela é visto como bandido
Rouba muito, magnata
Não vai para cadeia e usa terno e gravata
Causa e efeito
Só dever sem direito 2x

A corrupção permite
que atrocidade ultrapasse seu limite
Por mais que parte elite evite
Um afrogenocidio existe
onde pessoas morrem por conta da cor
Com sobrenome comum não temos valor
Artista câo, que fala de amor,
Não fecha com nois nem na hora da dor
Por isso eu faço do meu palco um pupito
usando minha voz contra um Brasil que é corrupto
Impunidade fala mais alto
Os homens de preto sobem o morro pra defender o asfalto
que impotente, assistem a tragédia
No desnivel entre a favela e a classe média
Que tratam o guetto como se fosse a África
numa distancia que nem chega a ser geográfica

Distanciamento provocado pelo preconceito
Como se nascer aqui fosse um defeito
Não é!
É parte de um destino que você ajudou a escrever,
quando não quis se envolver
Vem, vem aqui combater a consequencia de politica de ausencia
que resulta em violencia
Se o foco não for mudado, não terão resultado
e o ódio na juventude é uma tendencia
Sem escola, sem escolha
Expectativa de vida até que o crime te recolha
Vários do lado do bem, são empurrados pro mal
vitimas da convulsão social
País tropical, povo sensual
Fábrica de gente em condição marginal
que não conseguem pensar, que não conseguem falar
Parasitas não iram prosperar


Combatente não aceita
Comando de canalha que a nós não respeita
Excluído, iludido
Quem nasce na favela é visto como bandido
Rouba muito, magnata
Não vai para cadeia e usa terno e gravata
Causa e efeito
Só dever sem direito 2x

Essa letra é do novo álbum do MV BILL - Causa e Efeito é o nome do álbum e da música. É uma letra muito bem feita e desde a primeira vez que ouvi, não consigo parar de refletir e ouvir de novo!!!