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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Pós-Olimpíadas



Perguntaram-me o que esperar do pós-Olimpíadas.

Eu realmente não quero que a gente volte somente para o futebol. Quero ver os campeonatos mundiais de Boxe, Canoagem, Taekwondo, Atletismo, Natação, Levantamento de peso, Handebol, Judô, etc. Quero que as TVs mostrem mais sobre tudo isso.

Mas também fica o desejo de que estejamos mais alertas aos esportes que nos surpreenderam e que os acompanhemos pela internet, nos sites das confederações.

E, mais importante, que a gente cumpra nossa responsabilidade com o futuro desse país: nunca desistir dos sonhos das crianças, que nunca neguemos a oportunidade de nossos e nossas filhos(as), sobrinhos(as), afilhados(as), etc, de praticarem os esportes que eles e elas quiserem.

Que antes de pensarmos em falar que as crianças e os jovens de hoje em dia não querem nada, lembremos o que fizemos com a oportunidade que tivemos, de canalizar a esperança que a Rio 2016 plantou em nós para melhorar a nossa rua, o nosso bairro.

Obviamente, os esportes não irão mudar tudo, mas esses 17 dias nos mostraram muita coisa, nos deram muitas esperanças, porque fomos nós que acolhemos, que fizemos acontecer e mostramos ao mundo do que os países em desenvolvimento são capazes.

Enfim, hoje é um dia que eu definitivamente queria poder estar na sala de aula, para passar a emoção de fazer parte daqueles que têm a chance de recomeçar muito do que perdemos ultimamente.

domingo, 21 de agosto de 2016

O legado da Rio 2016



As Olimpíadas estão terminando neste dia 21. Segunda, todos os programas de esportes, inclusive os da TV fechada que duram de 3 a 4h, voltarão a noticiar apenas o futebol masculino.

A verdade é que a TV não tem a menor intenção de veicular a imagem de Rafaela Silva, da Cidade de Deus, do Instituto Reação, nem da Boa Vista de São Caetano, em Salvador, com Robson Conceição mudando a história do bairro, nem Isaquias Queiroz exaltando a presença negra nos pódios, nem a força das mulheres, que nem clube têm, e defendem a seleção de futebol como o fizeram na Rio 2016 e tantos outros exemplos, que são de superação, mas infelizmente são de exceções.

E é a existência dessas exceções que confirma a regra que transformar a periferia, para que não precisemos sair dela, só faz parte das ações de quem batalha todos os dias para sobreviver, ou de quem conseguiu sair da curva.

A TV não vai nos lembrar que esses e muitos outros atletas (desde a classificação estadual até o ranking mundial) ganham bolsas entre R$390,00 e R$15.000,00 por mês, além do salário de R$3.200,00 numa parceria entre Ministério dos Esportes e Ministério da Defesa para atletas de alto nível.

Segunda-feira, as escolas públicas irão continuar sem incentivo à prática dos esportes, sem materiais, porque o dinheiro nem chega. Segunda-feira, a magia contagiante da prática esportiva, o entusiasmo, a torcida ímpar, a mudança que necessitamos há tanto, estarão no passado.

Porém há a chance de fazer esse presente perdurar, porque ainda não acabou. Ainda há a chance de motivar crianças, de procurar projetos sociais, academias, escolas específicas, e que essas instituições se espalhem pelo Brasil, e matricular nossos filhos, sobrinhos, afilhados, onde eles e elas quiserem se aventurar.

E assim, talvez aprenderemos a nunca desistir dos sonhos de uma criança.