sábado, 20 de abril de 2013

Conversas sobre a redução da maioridade penal:

Muito tem-se falado sobre os projetos que há no parlamento para mudar a constituição e diminuir a Maioridade Penal, como forma de garantir mais segurança à pessoas.
Pois bem, como Cristão Católico Apostólico Romano PJoteiro que sou, preciso defender a opinião que não é só minha, mas de muita gente desse país.




Bom, dá até para resumir tudo: Se você é a favor da REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL, há duas possibilidades:
1 - Se a renda de sua família é maior do que R$4100,00 por mês, então você está de acordo com sua classe (opinião injusta, mas está valendo);
2 - Se renda de sua família é menor do que R$4100,00 por mês, então você é alienado(a) e deve parar de assistir televisão (está agindo contra os ideais do seu próprio povo).

Mas, como sabemos, mesmo que muitas pessoas concordem com a nossa opinião, a maioria dos comentários são contra, pois as pessoas geralmente só comentam quando discordam. 
Então, para embasar mais o que acabei de falar, aqui vão alguns argumentos, seguidos de links importantes para completá-los:

Para quem não sabe:
A Igreja Católica é contra
A OAB é contra
A UNICEF é contra
O Ministro da Justiça é Contra
E a PJ, a qual eu faço parte, como sempre defensora da Vida, contra a violência e o extermínio dos jovens, também é contra.

Mesmo antes desse assunto estar sendo tão comentado, mas sempre vinha à tona, quando acontecia um crime bárbaro cometido por um adolescente, eu já era contra, mesmo sem tantos argumentos. Hoje, que tenho muito mais, tenho certeza do que digo: é um problema muito maior do que colocar adolescentes na cadeia.

1 - A cadeia não reabilita ninguém. Está muito mais para escola do crime organizado do que reintegração à sociedade.
2 - Apenas 1,4% dos crimes cometidos por adolescentes são esses tais crimes bárbaros que reacendem o debate, principalmente defendido pela TV.
3 - No código penal, a última instância que deve ser considerada é a prisão. Mas os brasileiros pensam que deve ser a primeira.
4 - A educação, o lazer, as políticas públicas para inclusão de todos, é que devem receber investimentos, e não a construção de mais cadeias.

Os estados Unidos têm um dos códigos penais mais "eficaz" e duro do mundo. Nem por isso eles têm menos presos, muito pelo contrário, é o país com mais presos do mundo. No Brasil, só quem realmente vai preso é o pobre, pois os ricos conseguem advogados que conhecem as falhas do sistema e os livra facilmente. Vide os acusados de corrupção. O Brasil é o único país do mundo que não prende corruptos.
Os adolescentes são punidos sim. As fundações de reabilitação para os adolescentes são severas também. A única diferença é que eles ficam no máximo 3 anos cumprindo medidas sócio-educativas, ou até reclusão integral; e depois de cumprida, eles saem sem ficha suja, com uma "nova chance". Você já visitou a FUNDAC? E a fundação CASA?

A criminalidade é um problema social que vai muito além de punir as consequências. Uma criança que rouba é consequência, não é a causa. Precisamos de políticas que punam, de maneira correta e severa, os causadores da criminalidade, que são os grandes traficantes, os bandidos de colarinho branco, as milícias, etc. São esses que devem pagar, e não quem é vítima.

O adolescente que não tem comida em casa, que vê no tráfico uma oportunidade melhor do que o trabalho braçal (e é mesmo), não é o único, nem o maior culpado da história. É muito mais vítima, desse sistema que exclui, que não dá moradia, educação, saneamento, trabalho digno, etc, para que ele tenha uma vida humanizada. Aí vem os poderosos, que não estão nem aí para tudo isso e só querem se livrar desses adolescentes, tirando-lhes toda e qualquer chance de se alguém na vida. Afinal, quanto menos concorrência, quanto menos pessoas brigando por seus direitos existir, melhor para o Capitalismo, melhor para as elites. 

Lembremos do Ladrão que estava ao lado de Jesus, na Cruz... Todos ali o julgaram.
Até os apóstolos de Cristo não acreditavam que o ladrão crucificado ali, poderia ser bom. Mas Deus conhece o coração de cada um. Conhece a história de vida, as oportunidades que cada um teve na vida.
Temos que entender que colocar um adolescente na cadeia é um movimento elitista que está remediando, ao invés de prevenir. Estamos dizendo que os fins devem justificar os meios.
É ser imediatista, como tudo que acontece no Brasil. Vamos negar todo o contexto histórico os menos favorecidos do nosso País, todo o contexto cultural em que estamos inseridos, para dizer que um ato-consequência é a Causa de todos os nossos problemas.

Site 18 Razões contra a redução da maioridade penal;

Ninguém é a Favor de Bandidos, é você que não entendeu nada;

Posição da CNBB;

Ministro da Justiça se posiciona;

Presidente da OAB critica o projeto da redução;

Mais argumentos;

Documento da UNICEF;

Nota da Pastoral da Juventude;

Subsídio Semana da Cidadania 2013;

Link da minha postagem no Facebook;

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Axé! Awerê!





Alguns, quando "encontram" o "Axé" e o "Awerê" ditos em todos os encontros da PJ, se espantam e acham que somos loucos. Mas quando eu os encontrei, senti que havia encontrado, também, o meu lugar. É chato, na verdade muito chato, o que um PJoteiro tem que passar para manter seus ideais e sua fé intactos, pois sofremos muitos golpes de quem está perto, mas não entende nosso jeito de ser. 

Encontrei na Pastoral da Juventude a alegria de olhar o outro, aquele que reza diferente, mas nem por isso erroneamente; aquele que, por ocasiões da vida, age diferente de nós, mas nem por isso está fora do melhor da vida; como participantes de uma única roda. Nós valorizamos a cultura indígena, pois sabemos o quanto o "Cristianismo" destruiu a história dos donos dessas terras. Acreditamos que Jesus jamais iria aceitar que a crença fosse imposta, com chicotes, sob pena de morte. Valorizamos a cultura afro-brasileira, as religiões afro-descendentes; porque sabemos que nossa ignorância, ao proibirmos os negros de celebrarem conosco, os fez cultivar o seu próprio jeito de louvar, dançar e adorar. Valorizamos a Terra, pois temos um compromisso "eterno" com os pobres e os oprimidos. E quem é mais oprimido do que nossa mãe natureza, nossa casa Terra? Lutamos pela igualdade social. Lutamos contra o Capitalismo, sim! Lutamos contra a redução da maioridade penal. Lutamos contra o Extermínio de Jovens. Lutamos a favor da Vida. Defendemos a vida do outro, e do outro, e do outro, antes da nossa. Buscamos viver com o amor que as primeiras comunidades cristãs viviam. Buscamos agir como os apóstolos agiam. É por isso que muitas vezes esbravejamos, e gritamos, e dizemos "não é assim que deve ser".

É por isso que muitas vezes criamos "inimigos", porque não queremos hierarquia, não queremos poder, queremos horizontalidade, queremos humildade. Sonhamos com o dia em que os "Cristãos poderosos" lavarão os pés dos oprimidos, dos favelados, dos mendigos, dos encarcerados. Esperamos pelo dia que os "Reis" deixem seus tronos, suas "cúpulas", seus "castelos" e venham cear conosco, aqui na periferia, aqui no morro, aqui em baixo de alguma ponte, ali num asilo, num abrigo. Mas não fazemos só palavras, nós agimos dessa forma. Para nós, onde há uma ciranda, onde há alguém pregando a essência do Evangelho, ali está o sagrado. Onde há um simples pastor, cuidando de suas ovelhas e ensinando-as a ser pastoras, ali está a essência do Amor.

Não queremos fama, nem multidões aos nossos pés. Queremos ser respeitados e pessoas que unam-se a nós lado a lado. Queremos que cada um tome suas práticas diárias como testemunho, pois é somente isso que muitos terão como exemplo.

Queremos construir o Reino de Deus, a Civilização do Amor. Somos Pastoral da Juventude. Somos #SonhoFéELuta.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A PJ te representa?


Navegando pelo Facebook, hoje, me deparo com a seguinte imagem:



Li vários comentários e eu não iria comentar, pois, pela Constituição Federal, todos têm direito de se expressar, desde que não seja anonimamente. Apenas disse aos PJoteiros que não ligassem, num primeiro comentário. Mas como a Administradora da página, mesmo sem identificar-se, disse que foi ela quem tirou a foto, eu resolvi esclarecer alguns pontos:


Agora eu vou opinar:
A Pastoral da Juventude não representa muita gente. Isso é verdade sim!
Há 50 milhões de jovens no Brasil. Nem a Igreja Católica do Brasil inteira seria capaz de representá-los. Não há estrutura, não há pessoas comprometidas suficientemente, não há abertura ao acolhimento, para 50 milhões de jovens em nossa Igreja. Se alguém discorda, mostre-me a possibilidade com bons argumentos e eu retratarei-me.

Nós precisamos, sim, de pessoas com opiniões contrárias. Afinal, somos igreja Santa e composta por pecadores, SIM! Nós não acertamos sempre, tanto a PJ como qualquer outro grupo, movimento, ou pastoral. Mas para a adm da página, o que você quer que a PJ faça, está especificado no Documento 85 da CNBB como Setor Juventude. O que representa (ou deveria representar) toda a juventude da Igreja, é o Setor Juventude, o qual a PJ faz parte. A Pastoral da Juventude não tem o interesse de fazer tudo por todos os jovens, pois isso acarretaria na nossa perda de identidade. O Setor Juventude, sim! Ele reúne todos os grupos, movimentos e pastorais que trabalham, de alguma forma com Jovens. Mas eu coloco minha mão no fogo, que em muitas dioceses do Brasil, o Setor Juventude se sustenta na PJ. Sabem de quem é o erro? Dos outros movimentos, dos outros grupos e das outras pastorais que não se movimentam para compor do Setor. A PJ nunca deixará de trabalhar, porque os outros não estão trabalhando. É por isso que nós construímos muita coisa que é feita com o nome do Setor. Nós não levamos a fama, nem queremos; nós só fazemos porque nos preocupamos com os jovens. Se não houver o DNJ, o BoteFé, a Jornada de Espiritualidade Jovem; como nossos jovens ficarão? É isso que pensamos, é por isso que trabalhamos, mesmo que sozinhos.

Agora, se você quer saber quem é o Jovem que a PJ representa, eu vou lhe dizer:
1 - O Documento de Puebla, de 1979, oficializa, na Igreja Latino-Americana (a maior das 23 igrejas que têm comunhão com o Vaticano), a opção preferencial pelos pobres e pelos jovens. Ou seja, um jovem que é pobre é opção prioritária da igreja. Em outros documentos, como o 85 da CNBB e o de Aparecida, a igreja latino-americana reafirma esse compromisso.

2 - Nas Décadas de 60 e 70 a "ação católica brasileira" tomou conta das "obras", das mobilizações da nossa igreja, em nosso país. Lutando contra a ditadura, a favor dos mais pobres, da reforma agrária, contra a fome, contra a violência que se empregava ao povo, enfim, contra toda forma de opressão.

3 - Dentro da Ação católica,, haviam vários grupos: Juventude Agrária Católica, Juventude estudantil Católica, Juventude Independente Católica, Juventude Operária Católica e Juventude Universitária Católica. Nesse momento, tem-se o conhecimento da Teologia da Libertação, que estava surgindo. A Teologia da Libertação tem, como essência, a libertação do povo oprimido, que por consequência, é a libertação do Próprio Cristo, que habita nessas pessoas e as torna tão dignas de vida em abundância como qualquer europeu, classe alta (este que já tem uma vida muito mais fácil do que os oprimidos. Ou não?)

4 - A Pastoral da Juventude, juntamente com a Pastoral da Juventude Estudantil, Pastoral da Juventude Rural e a Pastoral da Juventude do Meio Popular, surgiram desse encontro: a Ação Católica com a Teologia da Libertação.

5 - Assim, a PJ nunca quis representar todos os jovens, mas sim, agir de forma que os pobres jovens tenham seus direitos respeitados, que suas famílias sejam restauradas, que o Cristo que vive em cada jovem oprimido, receba comida, água, seja vestido, seja visitado enquanto preso, receba abrigo, não pereça.

6 - Quer queira, ou não, esse cenário de opressão é consequência do Capitalismo (ou não?). Eu lhes digo o saldo do Capitalismo:
1 Bilhão de pessoas vivendo bem, até melhor do que necessitam para viver, causando a obesidade e o desperdício;
4,5 Bilhões de pessoas que trabalham duro, só fazem isso da vida (não têm tempo para lazer, praticar esportes, viajar, nem descansar), ganham um salário que mal dá para viver e seu suor sustenta cada uma das pessoas que vivem bem;1 Bilhão de pessoas passando fome, sobrevivendo com, no máximo, 20 dólares por mês, comendo biscoitos de barro para não morrer, sofrendo as mazelas das doenças erradicadas no "primeiro mundo" há quase 100 anos, sem direito a moradia, saneamento básico, alimentação mínima possível, nem educação.
Tirem suas próprias conclusões.

Aí vem a pergunta: e o jovem que não é da periferia, que não sofre opressão, que não tem fome física?
Muitos jovens que têm dinheiro, veem seus amigos, e até pais, oprimindo outras pessoas. Se esse jovem é cristão, tentará ajudar, de forma que ninguém seja injustiçado. Isso já é um enorme ato pastoral.
Outra coisa, muitos jovens sofrem com a fome espiritual, são oprimidos e injustiçados, mesmo nas camadas mais altas da sociedade. Eles são nossa prioridade também! Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois eles serão saciados.

Não sei se lerão, mas para falar de PJ, é preciso vivê-la, e estudar muito. Coisa que pouquíssimos jovens estão dispostos a fazer. Talvez por isso tantos pensem que a PJ não os quer representar.

Link da postagem AQUI.