domingo, 6 de abril de 2014

A culpa é de quem?

Os políticos são corruptos? 
"- A culpa é do povo, ignorante, não busca conhecimento e vota neles. Os políticos corruptos são reflexo do povo burro que o brasileiro é."

A educação é precária?
"- A culpa é dos estudantes, que não querem nada. Na minha época não era assim! Hoje em dia, há muito mais escolas do que antes, sobram vagas, mas os vagabundos não querem estudar. E tem os professores que só querem ganhar mais e ensinam com mau humor, sem vontade."

A prisão não cumpre seu papel?
"- A culpa é dos bandidos. Aliás, bandido bom é bandido morto! Vão presos e, quando saem, com tantas oportunidades, voltam para o crime. Como a vida do crime é dinheiro fácil, sem pressão, sem horários, etc., eles escolhem isso porque, claro, são vagabundos que não estão nem aí para as pessoas de bem."

Quando a culpa vai deixar de ser do povo e passar a ser de quem mente para o povo e depois se corrompe? Quando a culpa será de quem não oferece infra-estrutura, nem salários dignos, projeto pedagógico completamente cumprido, nem apoio psicológico aos alunos e sequer repassam um terço das verbas necessárias para manter a manutenção da escola? Quando a culpa será de quem desvia o dinheiro da merenda, do metrô, do asfalto, do sistema de esgoto, mesmo depois de prometer fidelidade ao povo? Quando a culpa será de quem faz de tudo para manter uma educação ruim, exatamente para não criar cidadãos críticos que, com certeza não o(a) reelegeriam? Quando a culpa será de quem tem a informação, mas a modifica para que o povo acredite no que estão falando, da maneira que estão falando e como estão falando; para que o que estão falando seja reproduzido nas rodas de conversas, no trabalho, na rua, na escola e na faculdade, tirando o foco da verdadeira notícia, dos verdadeiros problemas??? Quando a culpa será do sistema prisional que não ressocializa, que amontoa seres humanos, até inocentes, em celas minúsculas, menos dignos do que o local que nós ajeitamos para nossos animais de estimação dormirem? Quando a culpa será de quem se omite, ao ver que os presos estão aprendendo outros crimes, onde deveriam perceber a outra chance que têm de viverem bem, sem ônus para si próprios e para a sociedade? Quando a culpa será do processo de migração e povoação do Brasil, destruindo o povo verdadeiramente brasileiro, índio, respeitador da natureza, livre de várias doenças, organizado perfeitamente em harmonia com a Terra? Quando a culpa será dos que fazem de tudo para manter tudo do jeito que está? Quando a culpa deixará de ser do trabalhador, que sai às 6h da manhã e retorna às 20h, e, chegando em casa, recebe uma informação manipulada, prontinha para ser reproduzida? Quando a culpa deixará de ser dos que nunca tiveram a chance de pensar em mudar o que o "destino" bem pensado lhe reservou?

Hoje, antes e após o BAxVI da final do Campeonato Baiano de 2014, vi a periferia explodir de festas, de carros e mais carros brigando para saber quem tem o som mais alto, vi brigas entre torcedores, porque o campeonato ainda não acabou. Vi xingamentos para lá e para cá. Agora, ouço discussões na rua. Rodei um pedacinho dessa minúscula parte da periferia e vi "o povo ignorante" fazer EXATAMENTE o que Portugal, Espanha, Holanda, França, Inglaterra pensaram há 514 anos, quando vieram aqui buscar nossas "riquezas": colocar o supérfluo acima do essencial, o circo acima do mundo melhor, o pãozinho oferecido pelo sistema, acima do pensar crítico. Aí, vem uns e outros, fazendo, de novo, exatamente o que essa galera toda quer: dizer que a culpa é desse povo, que não quer ser melhor.

A situação jamais acusa o dominador, porque é situação.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

BEM VINDO(A)!

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Pensando na Morte

Talvez o único tema que a ciência encare como indecifrável é "O que acontece após a morte". Vez, ou outra, esse pensamento nos toma, principalmente quando uma pessoa próxima morre, sem que esperássemos. Para mim, que julgo ter um pensamento avançado sobre isso (considerando o cristianismo), parece ser uma linha muito mais tênue do que imaginamos. Por isso, já disse que o melhor a fazer é viver nos "dois mundos", porque o mundo de agora será decisivo para o mundo transcendente, o qual não possui tempo, nem fim.

O fato de que cada um, solitariamente, passará pela porta, terá seus olhos abertos e poderá deslumbrar a compreensão inimaginável do ser e do ente; me faz mergulhar em pensamentos que caminham por um labirinto infinito. Se não houver nada depois da porta, nada será relevante, nem os que acreditam que há algo, nem os que não acreditam. Mas se houver, se nós próprios experimentarmos a paz e pudermos nos olhar, esse mundo fará muita falta para alguns e muita graça para muitos.

É uma louca sensação de estar pelo mundo inteiro, com o mundo inteiro, repartindo o sentimento de pertença à Paz. É como sentir o bater do coração de cada um e de cada uma. É como saber que mais nada me acontecerá.

A morte, chamada de irmã por São Francisco de Assis, é a porta por onde passaremos, sem dor, completamente conscientes e preparados para rever tudo, mas sem direito a escolhas.